quinta-feira, 23 de junho de 2011

A real do parto natural

Oi, meninas + Wash!

Sei que o assunto está meio desatualizado, mas ainda vale.

Seguem as fotos do meu parto. Na íntegra. Dá para ver a minha cara de sofrimento. O que normalmente não se mostra. Não sei se porque as outras mães não sentem o que eu senti (o que eu acho difícil!) ou porque desejam manter a aura de romantismo e beleza do que rola no parto.
Na minha opinião, o parto humanizado deveria ser chamado de parto "animalizado", porque, na verdade, você vira um bicho! Nada do que eles dizem aliviar a dor através da analgesia (que não usa anestesia) alivia; apenas o banho no chuveiro bem quente. É porque a dor vem de dentro para fora, e o que você fizer externamente, não vai chegar lá. Pelo menos comigo foi assim. A contração é como uma cólica muuuito forte junto com uma dor nos rins, na lombar que dura um tempo bem razoável. Vomitei algumas vezes o pouco biscoito de sal que comi pela manhã. Ficava enjoada quase o tempo todo por causa das dores. As horas passavam de um jeito esquisito. Quando as médicas chegaram à minha casa às oito da manhã eu já estava com 7cm de dilatação e pensei: "Opa! Que bom! Então até a hora do almoço Chiara já deve ter nascido!"Pura ilusão! O tempo foi passando, a tarde foi chegando e nada, nada! Queria que Chiara nascesse na banheira e entrei nela por volta das 15h, mas as contrações desaceleraram porque relaxei demais e as médicas me tocaram de lá rapidinho! Tive que ficar andando de um lado para outro, com meu marido me guiando, eu, completamente grogue de sono, morrendo de vontade de dormir e dormindo sentada ou em pé a cada momento que a dor dava uma trégua. As médicas sumiam de vez em quando e me deixavam sozinha, ou com meu marido. Fizeram massagem em mim apenas uma vez porque eu pedi e, juro, pouca coisa aliviou. Volta e meia pensava em desistir e mudar de planos, mas já estava lá dentro, como que arrastada por um rodamoinho. Aquela história que você fica fora de si, como numa "onda", a tal da "partolândia", para mim não funcionou, eu estava ligada em tudo o que acontecia, sentia todas as dores, apenas estava morrendo de sono, morreeeeeeeeeeeendo de sono. Só fui acordar mesmo na hora de botar Chiara para fora. Não dá para ficar sonolenta com a força que se tem que fazer!! E não há ginástica que te prepare para isso! É outra força! São outros músculos!
Depois, a minha médica foi um pouquinho leviana, pois dispensou o acompanhamento de um pediatra na hora do parto e me garantiu que ela daria conta de tudo. No caso do meu parto, graças a Deus deu tudo certo, mas, depois eu descobri que ela não teria como fazer uma reanimação na neném, caso fosse necessário. Nem teria os equipamentos suficientes. Depois que tudo passou, e eu caí em mim, fiquei tão assustada, me sentindo meio culpada, apesar de ter me cercado de todas as informações sobre o parto domiciliar, essas me escaparam. Quando Chiara nasceu, ela ficou ali, paradinha no chão durante um tempo, levemente roxinha e demorou a chorar. O apgar dela foi 7/10. Quando eu soube, fiquei estarrecida, congelada! Aí veio na minha cabeça as frases que ouvi durante a gestação: "se acontecer alguma coisa com seu filho, vc nunca irá se perdoar". E é isso mesmo.
Além disso, o parto é uma coisa retumbantemente avassaladora emocionalmente. Eu e meu marido ficamos com as emoções à flor da pele, completamente fragilizados, sensíveis por pelo menos uns 15 dias depois do parto. Uns três dias depois, a eletricidade percorria o meu corpo velozmente e qualquer ironia, por mais leve que fosse, atingia o mais profundo de mim, me ferindo muito e despertando a leoa-mãe que veio morar em mim.
O diferencial é que o meu marido estava o tempo todo do meu lado, me apoiando, estando junto a toda prova, cuidando de mim em todos os detalhes, respeitando meus momentos de introspecção, fazendo uma companhia sutil, exatamente como eu precisava. Após o parto ficamos tão unidos, tão cúmplices, tão ligados, como jamais estivemos antes. E, acredito que, um parto hospitalar não geraria esse tipo de ligação e emoção. Ele foi muito forte. Muito corajoso. Muito presente. E muito companheiro.E minha pequena é tão esperta, tão durinha! Olha tudo, presta atenção em tudo, mama bem, conversa, entende o que a gente fala! E tão carinhosa! Muitas vezes credito a esse tipo de parto ela ser assim, tão desenvolvida!! Não tenho parâmetros para comparar, mas penso que é assim.

Chiara veio ao mundo!

Chiara nasceu!!! Mas ninguém acertou o bolão! A menina veio com personalidade, resolveu nascer no dia em que ninguém dia apostado e, para variar, puxando o saco do pai: exatamente seis meses antes de seu aniversário, no dia 29!
Portanto, ontem ela fez uma semaninha e, como eu havia previsto, É A CARA DO PAI INTEIRINHA!!!!!!! A minha porcentagem genética ficou única e exclusivamente com as orelhinhas (perfeitas! - As do pai, quando nasceu, eram abertinhas) e com os OLHOS, QUE SÃO AZUIS. Ela nasceu com um pouco de cabelo, para alegria da mamãe e é castanho escuro. Essa menina vai ser um arraso!! (Mãe babona!)
A Lu acertou, estou vivendo aquela semana louca, em que nem consigo dormir direito, muito menos chegar perto do computador!
Ainda não li as mensagens de vocês. Estou tentando ser objetiva. Agora, por exemplo, era para eu estar dormindo, mas acordei de um cochilo de meia hora engasgada com aquela série de arrotos novamente. Então resolvi levantar e ver um pouquinho da novela das seis e aproveitei para mandar esse email.
Então vamos aos dados resumidos:
Chiara nasceu no DIA 29 DE ABRIL DE 2011, ÀS 20h05min, com 2,9kg e 48cm. Ela NASCEU NA SALA DA MINHA CASA, após 16 HORAS DE TRABALHO DE PARTO (isso porque só se conta o início do trabalho de parto quando as contrações ficam em intervalos de 3 em 3 minutos. Eu tive contrações durante a noite toda, de 10 em 10, 15 em 15, meia hora, e não consegui dormir nada!), ACOMPANHADA PELO PAPAI E POR UMA MÉDICA PARTEIRA E UMA ENFERMEIRA, que, no momento de seu nascimento, estavam em prece, e diziam: - Vem, Chiara! Vem, meu amor! Você é muito benvinda! Será muito amada!
Tudo ocorreu dentro do que eu desejava, dispensando a parte das fortes dores das contrações e da força descomunal (e a dor da passagem) que tive de fazer para conseguir trazê-la ao mundo!
Quando eu não aguentava mais ficar sofrendo e a médica disse que já estava mais do que na hora dela nascer, eu pensei comigo mesma, "querida, é essa a dor que você vai ter que sentir mesmo! Ou é agora, ou é agora! 'Ou racha, ou racha!'" Daí então, eu pus minha mão e senti a cabeça dela e percebi o tanto que faltava para ela conseguir sair, fiz toda a força que eu nem sabia que tinha para colocá-la para fora e ELA VEIO AO MUNDO PELAS MINHAS MÃOS! É claro, amparada pelas mãos das médicas também!
Quando ela nasceu, veio imediatamente para os meus braços, mas logo se recuperou e chorou uns cinco minutos seguidos em meus braços! (a médica disse que era normal). Eu tentava fazê-la pegar o peito, mas ela não parava de chorar! Até que: MOMENTO MAIS LINDO DO PARTO - O PAI COMEÇOU A FALAR COM ELA E ELA FOI SE ACALMANDO, SE ACALMANDO E COMEÇOU A TENTAR ABRIR OS OLHINHOS, PROCURANDO DE ONDE VINHA A VOZ DELE E PAROU DE CHORAR!!!